Radiografia Panorâmica: Uma Aliada no Diagnóstico Precoce da Osteoporose na Odontologia

Um exame que já faz parte da rotina de praticamente todo consultório odontológico pode revelar um dos primeiros sinais de uma condição que afeta milhões de pessoas: a osteoporose.

A Radiografia Panorâmica, usada rotineiramente para avaliação odontológica geral, também pode funcionar como ferramenta valiosa no diagnóstico precoce ou na prevenção da osteoporose, condição considerada problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa condição exige estratégias eficazes para identificação precoce de indivíduos com baixa densidade mineral óssea e alto risco de fraturas.

O papel da Radiografia Panorâmica no diagnóstico da osteoporose

A Panorâmica pode revelar sinais de perda de densidade óssea na mandíbula, que podem ser um dos primeiros indícios de osteoporose. Essa detecção precoce é um dos grandes benefícios. Além disso, por ser um exame não invasivo, de menor custo, e já parte da rotina odontológica, suas vantagens são inegáveis.

É importante ressaltar que, embora a Panorâmica odontológica ofereça essas vantagens, ela possui limitações: só detecta perda óssea quando já houve uma redução de aproximadamente 50% da densidade. Portanto, ela não substitui a Densitometria Óssea, mas sim auxilia a identificar, precocemente, os pacientes que necessitam de complementação diagnóstica.

Achados radiográficos sugestivos de osteoporose

A Radiografia Panorâmica pode revelar os seguintes achados sugestivos de osteoporose:

  • Afinamento da borda inferior da mandíbula (cortical mandibular).
  • Falhas e porosidades na borda.
  • Alteração do trabeculado: o osso interno (esponjoso) aparece com espaços maiores entre as trabéculas ósseas.
  • A perda acelerada dos dentes e do osso alveolar, embora não seja um fator determinante, pode ser um sintoma que deve ser investigado.
Índices radiomorfométricos: o Índice de Klemetti

Existem medidas qualitativas e quantitativas realizadas nas Radiografias Panorâmicas, denominadas Índices Radiomorfométricos, que podem indicar a necessidade de realização da Densitometria Óssea. O mais utilizado é o Índice de Klemetti, Kolmakov e Kroger.

Em um estudo com 355 radiografias panorâmicas de mulheres na pós-menopausa, Klemetti et al. (1994) estabeleceram um índice qualitativo, denominado Mandibular Cortical Index (MCI), que avalia o grau de reabsorção da cortical inferior da base da mandíbula em três categorias:

C1: a margem da cortical está clara e nítida em ambos os lados.
C2: a superfície endosteal apresenta defeitos semilunares (reabsorções lacunares) ou a superfície apresenta resíduos de cortical.
C3: a camada cortical está extremamente porosa.


Perguntas frequentes sobre osteoporose e Radiografia Panorâmica

A Radiografia Panorâmica substitui a Densitometria Óssea?
Não. A Panorâmica identifica sinais precoces que podem indicar a necessidade de investigação complementar, mas o diagnóstico definitivo de osteoporose depende da Densitometria Óssea.

Em que ponto da perda óssea a Radiografia Panorâmica consegue detectar alterações?
Somente após uma redução de aproximadamente 50% da densidade óssea, o que reforça a importância de associá-la a outros métodos diagnósticos quando há suspeita.

O que é o Índice de Klemetti?
É um índice qualitativo (Mandibular Cortical Index) que avalia o grau de reabsorção da cortical inferior da mandíbula em três categorias (C1, C2, C3), auxiliando o dentista a identificar pacientes que podem precisar de encaminhamento para investigação de osteoporose.

Por que isso importa na prática clínica

A inclusão da avaliação do Índice de Klemetti na rotina de análise de radiografias panorâmicas pode ser um diferencial significativo na identificação precoce de pacientes em risco de osteoporose, permitindo um encaminhamento oportuno para exames complementares e tratamento adequado. A colaboração com outras especialidades médicas é fundamental para a saúde integral dos pacientes.


Referência: Klemetti, E., Kolmakov, S., Kröger, H. (1994). Pantomography in assessment of the osteoporosis risk group. Scandinavian Journal of Dental Research.


Conteúdo técnico revisado por Dra. Karla Abdala, CRO/RJ: 16.313, em Agosto/2026.

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