{"id":1752,"date":"2026-11-06T16:11:05","date_gmt":"2026-11-06T19:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/?p=1752"},"modified":"2026-11-06T16:11:09","modified_gmt":"2026-11-06T19:11:09","slug":"alara-alada-aladaip-radiacao-odontologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/alara-alada-aladaip-radiacao-odontologica\/","title":{"rendered":"ALARA, ALADA e ALADAIP:o que a ci\u00eancia diz sobreradia\u00e7\u00e3o odontol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Revis\u00e3o cr\u00edtica mostra por que exames justificados superam riscos m\u00ednimos e como otimizar a dose sem perder qualidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos delet\u00e9rios de altas doses de radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o conhecidos desde os primeiros meses ap\u00f3s a<br>descoberta dos raios X, em 1895, e sobre eles h\u00e1 consenso cient\u00edfico. Nas baixas doses \u2014 faixa em<br>que se situa praticamente toda a radiologia odontol\u00f3gica \u2014 esse consenso n\u00e3o existe. \u00c9 nessa lacuna<br>que prospera a radiofobia: pacientes que recusam exames e profissionais que hesitam em<br>prescrev\u00ea-los, mesmo quando uma radiografia panor\u00e2mica entrega cerca de 20 \u03bcSv, o equivalente a<br>apenas 2,5 dias de radia\u00e7\u00e3o natural de fundo nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma revis\u00e3o cr\u00edtica publicada em 2025 na Brazilian Oral Research revisitou os princ\u00edpios ALARA,<br>ALADA e ALADAIP e a base cient\u00edfica que os sustenta. A mensagem central responde \u00e0 d\u00favida que o<br>dentista enfrenta ao indicar um exame: quando justificados, os exames por imagem trazem<br>benef\u00edcios que tendem a superar riscos baixos. O trabalho tamb\u00e9m evidencia uma diferen\u00e7a decisiva<br>entre modalidades: a tomografia computadorizada de feixe c\u00f4nico (TCFC) de campo de vis\u00e3o<br>reduzido registra cerca de 50 \u03bcSv, contra aproximadamente 2.000 \u03bcSv de uma tomografia multislice<br>de cabe\u00e7a \u2014 o que posiciona a TCFC como a via tridimensional coerente com a otimiza\u00e7\u00e3o de dose<br>na odontologia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00eas siglas, uma mesma l\u00f3gica: justificar e otimizar<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica foi constru\u00edda a partir de danos reais. As les\u00f5es se multiplicaram durante a<br>Primeira Guerra Mundial o que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es internacionais \u2014 a ICRU, em 1925, e a<br>ICRP, em 1928. Desde ent\u00e3o, os princ\u00edpios evolu\u00edram em camadas complementares:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"308\" src=\"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-1024x308.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1754\" srcset=\"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-1024x308.png 1024w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-300x90.png 300w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-768x231.png 768w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-1536x462.png 1536w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/capa-blog-edited-2048x615.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas compartilham dois pilares. A justifica\u00e7\u00e3o determina que o exame s\u00f3 seja realizado ap\u00f3s<br>avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que evidencie benef\u00edcio superior ao risco. A otimiza\u00e7\u00e3o re\u00fane tudo o que reduz a<br>exposi\u00e7\u00e3o sem comprometer a imagem: colima\u00e7\u00e3o para um campo de vis\u00e3o (FOV) menor e<br>protocolos com tempo de aquisi\u00e7\u00e3o mais curto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ALADA desloca a pergunta de &#8220;quanto menos, melhor&#8221; para &#8220;qual a menor dose que ainda<br>responde \u00e0 pergunta cl\u00ednica&#8221;. Entre suas recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e3o selecionar exames conforme a<br>necessidade individual do paciente, e n\u00e3o por rotina, colimar o feixe apenas na \u00e1rea de interesse,<br>ajustar par\u00e2metros ao porte infantil e usar a TCFC somente quando necess\u00e1ria.<br>Na pr\u00e1tica, isso significa que toda solicita\u00e7\u00e3o precisa vir acompanhada de uma pergunta cl\u00ednica clara.<br>\u00c9 ela que define se o caso pede uma periapical, uma panor\u00e2mica ou um volume tomogr\u00e1fico \u2014 e, no<br>caso da TCFC, qual o menor FOV capaz de respond\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quanto de radia\u00e7\u00e3o um exame odontol\u00f3gico realmente entrega<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o compara as doses efetivas medianas dos exames com a radia\u00e7\u00e3o natural de fundo nos<br>Estados Unidos, estimada em 3,1 mSv por ano:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Telerradiografia cefalom\u00e9trica: <\/strong>5 \u03bcSv \u2014 0,6 dia de radia\u00e7\u00e3o natural<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Radiografia panor\u00e2mica: <\/strong>20 \u03bcSv \u2014 2,5 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>TCFC de FOV pequeno (&lt;6 cm):<\/strong> 50 \u03bcSv \u2014 6 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>TCFC de FOV m\u00e9dio (dentoalveolar, arcada completa): <\/strong>100 \u03bcSv \u2014 12 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Periapical total com sensor CCD:<\/strong> 100 \u03bcSv \u2014 12 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>TCFC de FOV grande (craniofacial): <\/strong>120 \u03bcSv \u2014 15 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Periapical total com PSP ou filme F: <\/strong>200 \u03bcSv \u2014 24 dias<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tomografia multislice de cabe\u00e7a:<\/strong> 2.000 \u03bcSv \u2014 8 meses<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"415\" src=\"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-1024x415.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1423\" srcset=\"https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-1024x415.png 1024w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-300x122.png 300w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-768x311.png 768w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-1536x623.png 1536w, https:\/\/skradiologia.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PATTY-1-2048x830.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dado mais revelador n\u00e3o \u00e9 o valor absoluto, mas o contraste. Uma TCFC craniofacial completa<br>corresponde a cerca de 6% da dose de uma tomografia m\u00e9dica de cabe\u00e7a. E um levantamento<br>periapical completo com filme ou PSP pode expor o paciente a quatro vezes mais radia\u00e7\u00e3o que uma<br>TCFC de FOV reduzido \u2014 o que desmonta a percep\u00e7\u00e3o de que a tomografia \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, o<br>exame &#8220;pesado&#8221; da odontologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escala populacional refor\u00e7a essa leitura. Na composi\u00e7\u00e3o da dose m\u00e9dica e de consumo da<br>popula\u00e7\u00e3o norte-americana, os exames odontol\u00f3gicos respondem por apenas 0,26%, frente a 47%<br>da tomografia m\u00e9dica. Em Ramsar, no Ir\u00e3, a radia\u00e7\u00e3o natural chega a 260 mSv por ano: um \u00fanico ano<br>vivendo ali equivale a cerca de 2.166 TCFCs craniofaciais ou 13.000 panor\u00e2micas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O modelo LNT e o limite do que se consegue medir<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baixas doses s\u00e3o aquelas abaixo de 100 mSv. Os riscos atribu\u00eddos a essa faixa n\u00e3o foram medidos:<br>foram extrapolados das altas doses pelo modelo linear sem limiar (LNT), que embasa o relat\u00f3rio BEIR<br>VII. A revis\u00e3o re\u00fane um conjunto consistente de questionamentos a essa extrapola\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Entre sobreviventes das bombas at\u00f4micas, exposi\u00e7\u00f5es abaixo de 100 mSv n\u00e3o resultaram em aumento de c\u00e2ncer<\/li>\n\n\n\n<li>A Health Physics Society recomenda n\u00e3o estimar riscos abaixo de 50 mSv em um ano ou 100 mSv acumulados na vida, al\u00e9m da radia\u00e7\u00e3o natural.<\/li>\n\n\n\n<li>A AAPM considera indetect\u00e1veis os riscos abaixo de 50 mSv por procedimento ou 100 mSv em m\u00faltiplos procedimentos em curto per\u00edodo.<\/li>\n\n\n\n<li>A radia\u00e7\u00e3o natural de 3 mSv\/ano gera de 3 a 30 altera\u00e7\u00f5es de DNA por c\u00e9lula por ano \u2014 quase 2,5 milh\u00f5es de vezes menos que as muta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas do metabolismo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No projeto DIMITRA, em crian\u00e7as submetidas a TCFC, foi detectado estresse oxidativo na saliva, mas<br>nenhuma quebra de fita dupla de DNA em c\u00e9lulas da mucosa oral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nenhum desses achados autoriza indicar exames sem crit\u00e9rio, e a revis\u00e3o mant\u00e9m ALARA, ALADA e<br>ALADAIP como refer\u00eancia. <\/strong>O que eles mudam \u00e9 o peso do argumento: a dose de um exame<br>odontol\u00f3gico, isoladamente, n\u00e3o deveria impedir uma investiga\u00e7\u00e3o clinicamente necess\u00e1ria. A pr\u00f3pria<br>AAPM afirmou, em 2021, que a decis\u00e3o deve se basear em crit\u00e9rios cl\u00ednicos, e n\u00e3o na dose de<br>exames anteriores.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Radiofobia tem custo cl\u00ednico, e protocolo mal calibrado<br>tamb\u00e9m<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o aponta um efeito colateral da comunica\u00e7\u00e3o alarmista: pacientes que evitam exames e<br>profissionais relutantes em solicit\u00e1-los, com o risco de o tratamento correto n\u00e3o ser realizado.<br>A Academia Americana de Radiologia Oral e Maxilofacial foi al\u00e9m e recomendou abandonar os<br>protetores de chumbo em radiografia dentomaxilofacial, inclusive em gestantes e crian\u00e7as. A dose<br>em tireoide, mamas e g\u00f4nadas \u00e9 insignificante, e a blindagem n\u00e3o reduz a exposi\u00e7\u00e3o de forma<br>relevante, podendo gerar artefatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O outro lado do equil\u00edbrio \u00e9 igualmente relevante. A TCFC permite antecipar problemas com achados<br>mais precisos e precoces no complexo maxilofacial, mas os autores ressaltam que o protocolo de<br>aquisi\u00e7\u00e3o precisa garantir dose suficiente para boa qualidade de imagem \u2014 caso contr\u00e1rio, a<br>justificativa do exame deixa de existir. Um volume subexposto n\u00e3o economiza radia\u00e7\u00e3o: desperdi\u00e7a a<br>que foi entregue.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Da evid\u00eancia \u00e0 indica\u00e7\u00e3o: exame certo, FOV certo, laudo especializado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revis\u00e3o demonstra que prote\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica e investiga\u00e7\u00e3o por imagem n\u00e3o competem entre si. O<br>caminho seguro est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o de indica\u00e7\u00e3o precisa, protocolo otimizado e interpreta\u00e7\u00e3o<br>qualificada \u2014 os mesmos pilares de justifica\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o que sustentam ALARA, ALADA e<br>ALADAIP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Fenelon, essa l\u00f3gica orienta a escolha entre exames bidimensionais, como Radiografia<br>Panor\u00e2mica, Radiografias Periapicais e Interproximais, e volumes tomogr\u00e1ficos dimensionados para a<br>pergunta cl\u00ednica \u2014 da Tomografia de Dentes Assinalados, com campo de vis\u00e3o restrito \u00e0 regi\u00e3o de<br>interesse, \u00e0 Tomografia para Endodontia ou para Implantes quando a terceira dimens\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.<br>Somados aos Laudos por Radiologistas Especialistas, esses exames permitem ao dentista indicar com<br>seguran\u00e7a t\u00e9cnica e oferecer ao paciente uma resposta objetiva, baseada em evid\u00eancia, para a<br>pergunta sobre radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Refer\u00eancia: Mendon\u00e7a RP, Estrela C, Bueno MR, Carvalho TCAS, Estrela LRA, Chilvarquer I. Principles of radiological protection and application of ALARA, ALADA, and ALADAIP: a critical review. Braz Oral Res. 2025;39:e014. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1807-3107bor-2025.vol39.014\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1807-3107bor-2025.vol39.014<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revis\u00e3o cr\u00edtica mostra por que exames justificados superam riscos m\u00ednimos e como otimizar a dose sem perder qualidade. Os efeitos delet\u00e9rios de altas doses de radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o conhecidos desde os primeiros meses ap\u00f3s adescoberta dos raios X, em 1895, e sobre eles h\u00e1 consenso cient\u00edfico. 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