CÂNCER DE PÂNCREAS: COMO QUE A SAÚDE BUCAL PODE ESTAR RELACIONADA

Um estudo publicado em 18 de setembro de 2025 pela revista científica JAMA Oncology revelou uma descoberta importante para ramo da medicina e odontologia: certos microrganismos presente na boca, como bactérias e fungos, podem triplicar as chances de desenvolver câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos e letais da medicina moderna.

A pesquisa reforça a ideia de que a saúde bucal está diretamente ligada ao bem-estar geral e pode ter papel essencial na prevenção de doenças graves.

Ciência por trás da relação

O estudo científico, conduzido por cientistas da NYU Langone Health (EUA), analisou amostras de lavagem bucal de cerca de 120 mil pessoas acompanhadas diretamente durante nove anos. Os pesquisadores identificaram cerca de 27 microrganismos, entre bactérias e fungos, que podem ser associados ao aumento do desenvolvimento de câncer de pâncreas.

Entre os resultados encontrados, destacam-se 3 patógenos bacterianos responsáveis por doenças periodontais; 4 espécies de fungos e 21 outras espécies bacterianas que podem estar ligadas ao desenvolvimento do câncer.

Segundo Jiyoung Ahn, PhD, uma das autoras do estudo, essas descobertas podem transformar a forma como a medicina entende a prevenção da doença:

O microbioma oral pode servir como um biomarcador não invasivo para identificar pessoas com maior risco de câncer de pâncreas e ajudar em estratégias de vigilância e diagnóstico precoce.

Tendo com objetivo testar se o microbioma bacteriano e fúngico oral está, de fato, associado ao desenvolvimento subsequente de câncer de pâncreas o estudo sugere que o desequilíbrio microbiano na boca (disbiose) pode provocar inflamações crônicas, alterar o metabolismo e favorecer condições que estimulam o surgimento de tumores no pâncreas. No total, a presença do grupo de micróbios nocivos nos pacientes aumentou o risco de desenvolver o câncer em mais de três vezes.

Cenário brasileiro

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que, entre 2023 e 2025, foram descobertos 10.980 novos casos anuais da doença; A doença é considerada pela medicina como um dos cânceres mais difíceis de diagnosticar de forma precoce e que apresenta altas taxas de mortalidade, o que reforça a importância da prevenção e da atenção a fatores de risco, principalmente os que começam na boca.

A importância da saúde bucal na prevenção

Cuidar da saúde bucal vai muito além da parte estética. A higiene adequada acompanhada da escovação regular, uso diário de fio dental e visitas periódicas ao dentista, pode apresentar impacto direto na saúde sistêmica.

Para Richard Hayes, especialista em saúde populacional e coautor do estudo, pequenos hábitos podem fazer grande diferença:

Está mais claro do que nunca que escovar os dentes e usar fio dental pode não apenas ajudar a prevenir doenças periodontais, mas também proteger contra o câncer.

Além da rotina de higiene, especialistas recomendam evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, fatores que também influenciam na composição do microbioma oral e aumentam o risco de doenças.

Sobre o câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é caracterizado pela formação de células tumorais malignas nesse órgão, responsável por funções essenciais como a produção de enzimas digestivas e hormônios, entre eles a insulina.

A doença representa cerca de 2% dos casos de câncer diagnosticados no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e é considerada uma das mais agressivas da medicina moderna, com rápida evolução e poucas opções terapêuticas eficazes.

A taxa de sobrevivência é baixa: apenas entre 1% e 4% dos pacientes vivem mais de cinco anos após o diagnóstico. Esse alto índice de mortalidade se explica, em grande parte, pela dificuldade de diagnóstico precoce, já que os sintomas costumam surgir apenas em estágios avançados. Além disso, a ausência de métodos de detecção e tratamento eficazes ainda representa um grande desafio para a medicina.

Apesar de os pesquisadores enfatizaram que, neste momento, suas descobertas não podem confirmar uma relação direta de causa e efeito, mas sim uma correlação entre o risco de câncer e certos micróbios na boca, os resultados publicados na JAMA Oncology reforçam o papel do microbioma oral como um possível indicador de saúde geral.


Mais do que uma questão estética, a saúde bucal é uma aliada essencial na prevenção de doenças graves, como o câncer de pâncreas.

A ciência mostra, mais uma vez, que a saúde começa pela boca, e cuidar dela pode ser um passo importante para proteger todo o corpo.

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